24 novembro 2012

O Infante Portugal em Universos Reunidos: Nero Faial


Nem só de Infante Portugal foi feita a mostra no 23º AmadoraBD. Cada herói tem o seu vilão e aqui o antagonista chama-se Vulcão, aliás Nero Faial, o artista plástico e curador da Fundação de Artes Narcisistas, que o autor José de Matos-Cruz soube compor após anos a gerir todo o tipo de criativos, do mundo da BD até ao do cinema, passando pelas artes líricas e outras…
Uma das cenas mais emblemáticas do álbum em preparação trata de uma expo de Nero, intitulada “Naturezas Mortas”, a que pertencem as quatro peças anexas na 1ª sala da exposição; infelizmente, por bem do sono descansado das eventuais crianças que ali fossem, optou-se por excluir os quadros mais “gráficos” da série, favorecendo estas 4 peças, de expressões densas.

Eis o texto do catálogo: 
SENTIDOS/DESTINOS
Virtudes Plásticas.
Todos os sorrisos se parecem. Nada revelam. O segredo íntimo, que os estimula, está no olhar. Simulado ou transparente, em sua expressão flexível.
A arte desvenda o que não é patente. Um silêncio audível, uma ausência inexistente. Os vestígios de uma vibração extinta. Laivos, formas corpóreas.
O fogo que as mutações ocultam. O sangue, regado pelas cinzas. Sinais que evoluem, já quando as motivações se dissiparam. A inquietação latente.
Naturezas Mortas.
-- Nero Faial

A mini-exposição foi complementada por duas críticas breves à série, com cerca de 15 quadros, pela mão de Jacinto Magno e Lúcio Olímpio, aqui reproduzidas:
A ARTE FATAL
A arte resgata-nos da matéria precária ou imperfeita que nós somos, em memórias e tradições. Por isso, as Virtudes Plásticas deveriam aspirar, para maior sublimação, ao alcance com a transcendência. A beleza, o êxtase, a fruição, a luz e a cor – eis elementos que estimulam um renovo do olhar… Mas, aqui, há apenas sobressalto e deletério.”
--Jacinto Magno

GÉNIO FEROZ
Eis o génio puro e genuíno. Nas telas, as figurações languescem, como Naturezas Mortas. Estranhas entranhas, sinais possuídos pela tensão feroz e seminal da sátira e do desmaio, da insolência e da catarse. Estas imagens irónicas, poderosas, projectam-se sofisticadas, abrasivas, além do nosso olhar, tolhendo-nos o espírito pela poética do insuportável.”
--Lúcio Olímpio

(As pinturas de Nero Faial são assinadas pela Susana Resende. São trabalhos inéditos, nunca antes expostos, e datados de 2003 – o mesmo ano em que “nascem” o Infante e Vulcão – e, curiosamente, foram originalmente baptizados como “Naturezas Mortas”, o mesmo nome que, sem ter conhecimento, mais tarde o José viria igualmente a dar às pinturas ficcionais de Nero…!)



Not just of Infante Portugal was made the exhibit at the 23rd AmadoraBD. Each hero has its villain and the antagonist here is called Vulcão (Volcano), aka Nero Faial, fine-arts artist and the Foundation of Narcissists Arts’ curator, which author José de Matos-Cruz knew full well how to compose, after years of managing all types of talents, from the comics medium to cinema, lyric arts and others such...
One of the most iconic scenes on the OGN in the pipeline takes place in one of Nero’s art shows, titled "Still Lifes” (a pun that literally translates to Dead Natures, in Portuguese), to which belong these four pieces shown in the 1st room of the exhibition; unfortunately, for the sake of the quiet sleep of children that might visit it, we opted to exclude the more "graphic" pictures in the series, favoring these 4 pieces, with dense expressions.

Here is the catalog text:
DIRECTIONS/DESTINATIONS
Plastic virtues.
All smiles look the part. Revealing nothing. The intimate secret, that stimulates them, is in the sight. Simulated or transparent, flexible in their expression.
The art reveals what is not patent. An audible silence, an nonexistent absence. The remnants of an extinct vibration. Overtones, bodily forms.
The fire that mutations hide. The blood, showered by ash. Signs that evolve, when the motivations have already dissipated. The latent uneasiness.
Still lifes.
- Nero Faial

A mini-exhibition is complemented by two brief reviews of the series, made of about 15 paintings, by Jacinto Magno and Lúcio Olímpio, reproduced here:
"THE FATAL ART
Art rescues us from poor or imperfect matter we are, in memories and traditions. Therefore, the Plastic Virtues should aspire, for higher sublimation, to reach transcendence. The beauty, ecstasy, enjoyment, the light and color - these are elements that stimulate a renewal of the sight... But here, there’s just fright and deleterious."
- Jacinto Magno

"GENIUS FIERCE
Behold the pure and genuine genius. On the canvas, the figurations wither, as Still Lifes. Strange bowels, signs owned by fierce tension and seminal satire and by collapse, and insolence and catharsis. These ironic images, powerful, are projected as sophisticated, abrasive, beyond our gaze, hindering us the spirit by the poetry of the unbearable."
-  Lúcio Olímpio

(Nero Faial's paintings were created by Susana Resende. Unpublished and never before exhibited, the works date back to 2003 - the same year of Infante and Volcano’s "birth" - and, curiously, were originally titled as "Still Lifes", the very same name that, without knowing, later on José would also give the fictional paintings of Nero...!)

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