18 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VIII | Chapter Cover VIII



Salvador da Pátria
Esta ‘ilo marca o encontro do desalentado paladino Condestável Lusitano com o Salvador da Pátria, junto ao Monumento aos Descobrimentos, onde nos anos 40 ele havia consagrado o Condestável, aliás Pereira Dias, às suas aventuras como vingador português. É de salientar que a figura do Condestável foi criada pelo mestre José Ruy na 1ª Jornada e em nada foi alterado até agora, envergando até os seus signos mágicos, a Bussola e Ampulheta.
This ‘illo marks the gathering of the disheartened paladin Constable Lusitano with the Savior of the Fatherland, in the vicinity of the Monument to the Discoveries, where in the early 40’s he had deemed the Constable, aka Pereira Dias, to a lifetime of adventures as a Portuguese avenger. I must stress that Constable was created by master José Ruy in the 1st Journey and has remained unaltered, holding onto his magical signs, the Compass and Clepsydra.

Esta foi, salvo erro, a última imagem que fiz antes de encerrar o livro, e talvez por isso está mais solta – para mim, ao menos – do que as anteriores. A nível de referências, tentei basear o Condestável do actor Ian McKellen (Galdalf, Magneto) e o próprio Salvador em Sean Connery (James Bond), aqui muito informado pelo filme de culto Zardoz. Quis fazer alguns ornamentos na armadura, mas não houve tempo suficiente…
This one was, I believe, the final image I did before wrapping up the book, and perhaps due to that it’s looser – to me, at least – than the others. As for references, I tried to base Constable in actor Ian McKellen (Gandalf, Magneto) and Savior himself in Sean Conney (James Bond), here much informed by the cult movie Zardoz. I also wanted to do add some ornaments in his armor, but hadn’t enough time left…

17 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VII | Chapter Cover VII


Oktobraia
Personificação da antiga União Soviética, antes de se exilar em terras Lusas após a queda do muro de Berlin, Plevna Kostoglotov foi a escolhida pelo militar Ochia Chiornia para surgir como símbolo Russo. Apesar de criada pelo fabuloso ilustrador Zé Manel, no vol.1 d’O Infante Portugal, não houve ocasião para a retractar “em fato”, mas não resisti a representá-la numa composição algo inspirada em posters de propaganda soviete.
Personification of the old Soviet Union, before going into exile in Portugal after the fall of the Berlin Wall, Plevna Kostoglotov was chosen by army man Ochia Chiornia to become the Russian symbol. Although created by the amazing illustrator Zé Manel, in O Infante Portugal vol.1, there wasn´t any occasion to depict her “in costume”, but I didn’t resist crafting a composition somewhat inspired in soviet propaganda posters.


Uns aspectos caricatos: Pus “Matuschek” na caixa de charutos de Ochia como uma pequena piada para o autor José de Matos-Cruz, em referência à cena de Shop Around the Corner, onde o actor James Stewart, um empregado na loja do sr.Matuschek, tentava vender uma caixa idêntica que tocava a célebre música “Occhi Chiornie” quando aberta. Alusão obscura, eu sei.
Também, para minha vergonha, a aparência final de Ochia foi a menos russa de todos os esboços que fiz. Aliás, por qualquer razão, ele foi-se parecendo menos e menos soviete a cada novo estudo…
A few amusing bits: I put “Matuschek” in Ochia’s cigars box as a little joke for author José de Matos-Cruz, in reference to a scene in ShopAround the Corner, where actor James Stewart, an employee at mr.Matuschek store, tries to sell a box like that one that plays the music “Ochi Chiornie” when opened. Obscure nod, I know. Also, to my shame, the final appearance of Ochia looks the least Russian of all the sketches I did. In fact, somehow he turned less and less soviet with each new study…

13 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VI | Chapter Cover VI


Enter: Susana Resende…!
Elefante Elegante & Escudeiro Europa
Nesta próxima ilustração, contei com a participação da Susana Resende, pois, atendendo à “passagem do testemunho” no final do livro (…a Susana foi convidada a criar a figura da Aurora Boreal, a legítima sucedânea d’O Infante Portugal), decidimos que seria engraçado dividir áreas de responsabilidade e gradualmente chegar até lá, tendo-a a desenhar o que fosse cenários ou personagens etéricas, assumindo eu apenas os “reais.” Assim, em transição para uma Lisboa espectral, pejada de entidades astrais, o Escudeiro Europa é recebido pela manifestação do Elefante Elegante, de afinidades com o escritor Álvaro Pessoa. O cenário de fundo é, portanto, da autoria da Susana, mas as figuras são minhas.
In this next illustration, I was joined by Susana Resende, who, given the “passing of the baton” at the end of the book (…Susana was invited to create the look of Aurora Boreal, the Infante Portugal’s legitimate successor), we decided it’d be fun to divide areas of responsibility and have her build towards that, drawing any ethereal backgrounds and characters, while I assumed only the “real” ones. Hence, in transiting to a spectral Lisbon, filled with astral entities, Escudeiro Europa (i.e. Europe Armiger) is welcomed by a manifestation of Elefante Elegante (i.e. Elegant Elephant), who shares affinities with writer Álvaro Pessoa (a pastiche of Fernando Pessoa). The back scenery was, therefore, done by Susana, while I did the characters.
Apesar de representar o Huno/Huna ou Escudeiro Europa como fora criado pelo Luís Diferr (vol.1) e João Amaral (vol.2), pude conceber uma nova personagem – Elefante Elegante – que vi como alguém massivo e imponente, mas de uma certa classe. As referências iniciais foram os actores Marlon Brando e Sydney Greenstreet (onde fui buscar o charuto e chapéu Fez, usados em Casablanca), mas por resultar num aspecto algo ardiloso, alterei para a expressão mais simpática e jovem na imagem final.
Although I featured Huno/Huna or Europa Arminger was created by artists Luís Diferr (vol.1) and João Amaral (vol.2), I was granted the conception of a new character – Elegant Elephant – that I saw as someone massive and towering, but of a certain class. The initial references were actors Marlon Brando and Sydney Greenstreet (where I got the cigar and Fez hat, from Casablanca), but due to it resulting in a slightly leery look, I altered towards a nicer and younger expression in the final image.
Quanto ao cenário da Susana, pensámos inicialmente em localizar a acção nas Ruínas do Carmo, mas optou-se por algo alusivo ao Bairro Alto, onde se pudesse incutir uma sensação labiríntica e ‘alfacinha. Era importante o traço da Susana diferenciar q.b. do meu, pelo que ela fez por manter uma arte-final mais evocativa a gravuras, que insinuassem uma noção de ancestralidade.
As for Susana’s background, we first thought of locating the scene in the Carmo’s Cathedral Ruins, but opted for a place more relating to Bairro Alto neighborhood, where we could play to a labyrinthian and traditional Lisbon feel. It was crucial that Susana’s style differ from my own, so she tried for an inking more akin to engravings, to insinuate a certain notion of ancestry.

10 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo V | Chapter Cover V



A última participação do Daniel Henriques no livro… / Daniel Henriques’s last participation in the book…

Lúcio Olímpio
A 2ª imagem arte-finalizada pelo Daniel Henriques foi a primeira em que colaborou. A personagem, Lúcio Olímpio, é um poeta competidor do arqui-vilão d’O Infante, Nero Faial (aka Vulcão), aquando este se ausenta misteriosamente de Lisboa, deixando aberta a porta para um novo curador da Fundação de Artes Narcisistas.
The 2nd image inked by Daniel Henriques was the first he collaborated on. The character, Lucío Olímpio, is a poet competitor of The Infante Portugal’s arch-villain, Nero Faial (aka Volcano), who mysteriously vanishes from the Lisbon scene, leaving the door open for a new curator to take the Foundation of Narcissistic Arts.
A produção correu bem, embora prefira a espontaneidade do esboço original à ‘ilo acabada. O único percalço foi na recta final, quando se decidiu que Lúcio não devia estar a segurar em despeito o retrato de Nero , retirado da parede – para simbolizar a sua ausência – após o substituir na tutela da Fundação, mas sim um livro, em alusão à poesia; isto porque “Vulcão” não estaria inteiramente saído de cena…
A solução foi manipular a imagem digitalmente e, de grosso modo, voltar a pôr o quadro na parede, depois adicionando à ‘ilo um livro, também digitalmente. Coube novamente ao Daniel harmonizar estas edições na fase de arte-final (…e inclusivamente ‘inkar a minha assinatura, que eu esqueci :S).
The production went smoothly, although I prefer the original sketch’s spontaneity to the finished ‘illo. The sole hiccup came towards the end, went we decided that Lúcio shouldn’t be holding in contempt Nero’s portrait, taken down from the wall – to symbolize this one’s absence – after having replaced him in taking one the Foundation, mas rather a book, in lieu of his poetry; this, because “Vulcão” wasn’t entirely gone…
The solution was to manipulate the image digitaly and, so to speak, put the painting back on the wall, afterwards adding a book to the ‘illo, also digitally. It again fell to Daniel to harmonize all these editing on the inking stage (…and also ink my signature, that I forgot :S).


O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo IV | Chapter Cover IV


Continuando com a tour… / Continuing with the tour…


Livre Arbítrio
Como referi antes, esta não era a versão inicial do Livre Arbítrio, uma entidade projectada de Jacinto Magno. Felizmente, o José de Matos-Cruz, que além de vivido escritor tem background nas artes visuais – o que facilita fantásticos brainstormings – soube orientar-me para esta espécie de Djinn “multifacetado”, que exprime influências várias e simultâneas a Jacinto.
As mentioned before, this was not the original version of Livre Arbítrio (Free Will), an entity projected from Jacinto Magno. Fortunately, aside from a vivid writer, José de Matos-Cruz has a background in visual arts – which enables many awesome brainstormings – and therefore knew how to steer me towards this “multifaced” Djinn, that simultaneously expresses various influences on Jacinto.

A nível de produção, foi a concepção mais caótica: começou com o estudo das faces de Livre Arbítrio, rabiscado a caneta, que não era definitivo mas foi depois composto directamente na ‘ilo final. Passei a seguir à figura de Jacinto – a única parte feita tradicionalmente – que, para o tornar mais compacto, foi depois manipulada digitalmente. O resto, por questão de imediatismo, foi desenhado com Wacom – a qual, pela falta de alguns drivers, não estava lá muito cooperativa, razão porque certas áreas (braços) ficaram mais grosseiras do que outras (tronco)…
O ónus do resultado está todo no Daniel Henriques, que arte-finalizou esta imagem e em quem caiu a missão de uniformizar toda a composição, tão díspar – foi uma espécie de desafio...! A interpretação que ele tentou na névoa de Arbítrio falhou o que era pretendido, aparentemente, mas eu contínuo a preferir a tentativa dele do que o meu improviso.

Production wise, this was the most chaotic conception: it started with the faces study for Livre Arbítrio, sketched with a pen, that wasn’t to be definitive but ended up directly melded onto the final illo. I then drew Jacinto – the only part that was done traditionally – which, to make him bulkier, was afterwards digitally manipulated. The rest, for immediacy sakes, was drawn with a Wacom – which, due to lacking a few drivers, wasn’t very cooperative; reason why some areas (arms) turned out more rough than others (torso)…
The burden of the end result is all on Daniel Henriques, who inked the image and had the assignment of unifying the whole composition, disparate as it was – it’s a kind of challenge…! His interpretation of Arbítrio’s clouds effects apparently missed what he intended, but I still like his attempt better than my improvisation.


08 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo III | Chapter Cover III


A complicada imagem do 3º capítulo… / The complicated 3rd chapter image…

Fado
Aqui, o recorrente Deodato Roble, aliás Fado, conjura personagens da sua peça de teatro “Os Contrafeitos”, onde evoca pessoas do séc.19 em Portugal; nomeadamente, A Preta do Mexilhão e Júdice Xadrez, assim como Leonel Picco, munido de uma tíbia pastoril (instrumento musical antigo), que se manifestam na sua mente e numa cena tumultuosa, passada nas ruelas recônditas do bairro d’Alfama.
Here, the recurring Deodato Roble, aka Fado, conjures characters from his theater play “Os Contrafeitos”, wherein he evokes people from 19th century’s Portugal; namely, A Preta do Mexilhão (The Mussel Negro) and Júdice Xadrez, along with Leonel Picco, holding a tibia aulos (an ancient musical device), that manifest themselves in his mind and in a very tumultuous scene, in Lisbon’s alleyways of Alfama neighborhood.


Esta devia ter sido uma das imagens arte-finalizadas pelo Daniel Henriques, que ele teria feito brilhar, mas devido a outros compromissos profissionais que ele tinha na altura, tive de a resolver sozinho, razão porque optei só ‘inkar o busto de Fado – a única figura “real” na composição – deixando o resto, fictício, minuciado ao ponto de arte-finalizado com lápis. Na eventual aplicação de técnicas nas imagens do livro, para incutir realidades diferentes, esta conjuração de uma cena ficcional até caiu bem e fez sentido, retratada assim.
É de salientar ainda a concepção d’A Preta do Mexilhão, pela Susana Resende, que me salvou do vácuo criativo ao criar um look castiço e surreal para a personagem, que eu decalquei vergonhosamente para a ilustração final. Podem ver o esboço aqui.
This should’ve been one of the images inked by Daniel Henriques, which he would’ve made shine, but due to other professional engagements he had at the time, I had to solve it myself, reason why I opted to only ink Fado’s bust – the sole “real” figure in the composition – leaving the rest, fictitious, detailed to the point of being inked with the pencil. Given the various techniques we later applied throughout the book, to convey different realities, this conjuration of a fictional scene actually worked out well and made sense, portrayed this way.
I’ve also to point out the conception of Mussel Negro, by Susana Resende, that salved me from a creative void when coming up with a look that was both quirky and surreal, which I traced shamelessly onto the final illustration. Checkout the sketch here.

Links:

07 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo II | Chapter Cover II


Seguidamente, a imagem do 2º capítulo, com… / Next, the image of the 2nd chapter, featuring…

Inocêncio Perpéctuo
Esta composição mostra a entidade Inocêncio Perpétuo, que intervém e salva Ofélia Luna (a Fada) da vampira Leonor Gibrão. Admito, o apelo aqui foi em desenhar a vampira. A imagem teria passado sem ela, mas era divertido fazê-la e tentar mostrar os dois extremos – um na luz e outro nas trevas – com uma figura meio humana meio mito, no centro. Até porque desenhar um mito anglo-saxónico em confronto com um folclore pagão não é costumeiro…
This composition features the entity Inocêncio Perpéctuo (Inocêncio Perpectual) that intervenes and saves Ofélia Luna, aka Fairy, from the vampire Leonor Gibrão. I’ll admit my chief thrill here was in drawing the vamp. I could’ve easily done without her, but it was some much fun to attempt to show the two extremes – on in the light, another in darkness – with a half human half myth figure at the center. Plus, drawing an Anglo-Saxon myth facing a pagan European folklore isn’t something usual…

O problema estava no foco no Inocêncio: tentei fazê-lo luminoso desenhando o seu brilho e não traçar só o contorno, como se fosse tão brilhante que nem definia formas. Quis tentar algo mais, mas para isso tive de largar o fato completo, para facilitar a tarefa. Em suma, gostei do resultado, embora haja aspectos que podiam ter saído melhor.
The problem was the focus on Inocêncio: I attempted making him luminous by drawing his light’s sheer and not just the outline, as if he was so bright he had no defining shapes. I wanted to go for something more, but for that I had to part with his full suit, to make it easier. I liked the result, although there are some aspects that could’ve gone better.

Não há registo da fase do desenho do Inocêncio. Para apanhar o efeito do brilho, arte-finalizei instintivamente logo em cima do esboço.
I have no penciling stage for Inocêncio. To get that sheer and luminous effect, I inked it instinctively right upon the sketches.

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo I | Chapter Cover I


Após o interregno, vou seguir as ilustrações por ordem de capítulos onde surgem e não cronologicamente. Qualquer uma destas foi feita há mais de 1 ano, pelo que alguns aspectos da produção podem escapar-me...
I’ll go through the illustrations in the same order as the chapters they appear in and not chronologically. Any one of these was done well over a year ago, so some of the aspects regarding their production may escape me... 
Vulcão & Efraim Al Tothmea
O principal vilão do universo O Infante Portugal, criado por José de Matos-Cruz, o Vulcão (aliás, Nero Faial, artista e curador da Fundação de Artes Narcisistas) desapareceu da cena de Lisboa, deixando muito pó por assentar. Numa viagem mal trilhada pela Terra do Fogo e atravessando as ruínas de um antigo local Alexandrino, encontra-se com uma figura fantasmagórica – o sábio Efraim Al Tothmea.
The main antagonist in The Infante Portugal universe, created by José de Matos-Cruz, Vulcão/Volcano (aka, Nero Faial, artist and the Narcissistic Arts Foundation’s curator) has vanished from the Lisbon scene, leaving a lot of dust to settle in his wake. During a trip gone astray in the Land of Fire and crossing through the remains of an ancient Alexandrian place, he meets with a ghostly figure – the wise man Efraim Al Tothmea.
 
A ideia geral estava lá desde o começo, era só uma questão de quanta paisagem ou ruínas ia mostrar. Decidimos fazê-lo um local que o deserto teria reclamado, deixado só alguns vestígios para trás. Quanto ao vilão, o apelo de o fazer aprumado foi grande, mas consegui desarranjá-lo um pouco, para melhor narrar a situação desesperada em que estava e o choque de se cruzar com o espectral Al Tothmea.
The basic idea was there from the start, it was only a matter of how much landscape or ruins would it should. We decided to have it look like a place the desert had claimed back and left only some vague remnants behind. As for the villain, the appeal to depict him sleek was great, but afterwards managed to frazzled him a bit, to better convey his dire situation and startling at meeting the ghostly Al Tothmea.

De resto, deixei-me levar demasiado nos detalhes da arte-final, em especial na folhagem. E prefiro nem comentar o lagarto… ;)
Also, I really went overboard with detailing the inks, especially on the foliage. And I’d prefer not to comment on the lizard… ;)

06 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Diário de Produção | Production Diary


Em jeito de teaser à próxima fase, focada nas 'ilos finais d’O Infante Portugal, apresento o vídeo #2, exibido originalmente no encontro no CNBDI (Centro Nacional de BD e Imagem) que foca a produção dos trabalhos assinados por mim, Susana Resende e o arte-finalista convidado Daniel Henriques.


As a teaser for the next phase, focused on the final illos for The Infante Portugal, here’s the 2nd video, originally shown at the presentation at CNBDI (National Center for Comics & Images), showcasing production steps of the works therein by myself, Susana Resende and guest inker Daniel Henriques.

04 setembro 2012

Comunicado sobre Troféus Central Comics


Agora que o X Troféus Central Comics terminou, encerrando a 1ª década destes prémios de BD e Cartoon onde os vencedores são definidos pelo grande público, venho anunciar o meu afastamento - para já -  da organização do evento (onde participava na elaboração de docs imprensa, gestão da selecção de nomeados e outros aspectos logísticos) e - eventualmente - como membro do júri (colaborando na selecção de nomeados e adjudicação do resultado da votação pública). A manutenção desta última função dependerá de disponibilidade para tal aquando do XI TCC, no 1º semestre/2013, mas é quase certo não ir ter essa vacuidade, agora que, após quase 5 anos afastado de criar BDs a sério, pretendo voltar a produzir.

Não obstante as eventuais ambições artísticas, os motivos da decisão são simples: sem tempo para manter em dia a leitura de edições nacionais pouca capacidade vou ter para continuar a nomear candidatos com o devido conhecimento de causa e, hipoteticamente, podendo constar entre autores e obras elegíveis em prémios futuros, caso edite algo por cá, igualmente não me poderia pronunciar nessas categorias ou estar sequer nomeado, de acordo com o regulamento do TCC (“1.8. (...) Os elementos do júri não podem ser eleitos nos prémios de título pessoal (...), sendo proibidos ainda de participar no processo de selecção dos nomeados se intervirem criativamente em obras elegíveis nas categorias (...)).
Assim, a atitude correcta é retirar-me do evento, até para não fomentar comentários que tentem pôr em causa a idoneidade (impecável) do TCC – ou a minha – agora que ele caminha para a maturidade e maior projecção mediática, associado ao evento de entretenimento Portusaki.

A nível pessoal, tendo acompanhado o Troféus Central Comics desde o começo, não poucas vezes salvaguardado para que ele não desaparecesse e durante anos facilitando o seu funcionamento, ao reunir exaustivamente a lista de edições portuguesas no qual ele se baseava (algo que deixei de acautelar, entretanto), é com algum pesar que fecho este capítulo; posso não ser o pai do evento, mas serei certamente o seu tio... E há que salientar que o TCC tem sido, desde o início, realizado de modo independente e financiado exclusivamente a nível privado, criado por uma entusiasta carolice mas promovido com intentos sérios, pelo que manter-se no activo há já 10 anos e, no processo, atingindo uma abrangente participação pelo público leitor, é decerto um feito valoroso e inédito no nosso periclitante mercado, e também estimulador de uma até então fragmentada comunidade de BD.

Apesar de alguns dissabores ao longo dos anos, tendo de lidar com actos mesquinhos por individuos mal-ajustados (porque há sempre dois lados de se encetar iniciativas destas), o gosto pela edificação do TCC, pela sua mensagem de incentivo à criação e a celebração da BD que este simboliza fez superar tudo isso. O que fica são os conhecimentos travados e desafios ultrapassados, as oportunidades de homenagear tantos colegas e ídolos que o mereciam, e as imensas mensagens de apreço que continuamos a receber dos leitores e pares.

Porém, acho que 10 anos(!) é o suficiente para intervir num projecto desta natureza, ademais não sendo o seu principal promotor ou beneficiário. E venho a sentir que continuar a fazê-lo tornar-se-á incompativel com o que quero procurar a nível profissional; não o digo só face a ter a disponibilidade necessária – que é relevante – mas também sobre me querer prestar criativamente num sector enquanto simultaneamente estivesse a agir nele num âmbito premiador.
Posto isto, renovado o regulamento e categorias do TCC, e estando tratada a nova iniciativa TCC-HD (Troféus Central Comics: Heróis da Década) – que posso dizer ter sido proposta minha – o meu papel nos prémios chega ao fim, certo de que os actuais jurados vão manter o evento em boas mãos, sem risco de desvirtuamento.
Resta desejar que continue a ganhar o melhor – ou pelo menos o preferido da maioria dos leitores – e que o TCC persevere por muitos anos.