10 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo V | Chapter Cover V



A última participação do Daniel Henriques no livro… / Daniel Henriques’s last participation in the book…

Lúcio Olímpio
A 2ª imagem arte-finalizada pelo Daniel Henriques foi a primeira em que colaborou. A personagem, Lúcio Olímpio, é um poeta competidor do arqui-vilão d’O Infante, Nero Faial (aka Vulcão), aquando este se ausenta misteriosamente de Lisboa, deixando aberta a porta para um novo curador da Fundação de Artes Narcisistas.
The 2nd image inked by Daniel Henriques was the first he collaborated on. The character, Lucío Olímpio, is a poet competitor of The Infante Portugal’s arch-villain, Nero Faial (aka Volcano), who mysteriously vanishes from the Lisbon scene, leaving the door open for a new curator to take the Foundation of Narcissistic Arts.
A produção correu bem, embora prefira a espontaneidade do esboço original à ‘ilo acabada. O único percalço foi na recta final, quando se decidiu que Lúcio não devia estar a segurar em despeito o retrato de Nero , retirado da parede – para simbolizar a sua ausência – após o substituir na tutela da Fundação, mas sim um livro, em alusão à poesia; isto porque “Vulcão” não estaria inteiramente saído de cena…
A solução foi manipular a imagem digitalmente e, de grosso modo, voltar a pôr o quadro na parede, depois adicionando à ‘ilo um livro, também digitalmente. Coube novamente ao Daniel harmonizar estas edições na fase de arte-final (…e inclusivamente ‘inkar a minha assinatura, que eu esqueci :S).
The production went smoothly, although I prefer the original sketch’s spontaneity to the finished ‘illo. The sole hiccup came towards the end, went we decided that Lúcio shouldn’t be holding in contempt Nero’s portrait, taken down from the wall – to symbolize this one’s absence – after having replaced him in taking one the Foundation, mas rather a book, in lieu of his poetry; this, because “Vulcão” wasn’t entirely gone…
The solution was to manipulate the image digitaly and, so to speak, put the painting back on the wall, afterwards adding a book to the ‘illo, also digitally. It again fell to Daniel to harmonize all these editing on the inking stage (…and also ink my signature, that I forgot :S).


O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo IV | Chapter Cover IV


Continuando com a tour… / Continuing with the tour…


Livre Arbítrio
Como referi antes, esta não era a versão inicial do Livre Arbítrio, uma entidade projectada de Jacinto Magno. Felizmente, o José de Matos-Cruz, que além de vivido escritor tem background nas artes visuais – o que facilita fantásticos brainstormings – soube orientar-me para esta espécie de Djinn “multifacetado”, que exprime influências várias e simultâneas a Jacinto.
As mentioned before, this was not the original version of Livre Arbítrio (Free Will), an entity projected from Jacinto Magno. Fortunately, aside from a vivid writer, José de Matos-Cruz has a background in visual arts – which enables many awesome brainstormings – and therefore knew how to steer me towards this “multifaced” Djinn, that simultaneously expresses various influences on Jacinto.

A nível de produção, foi a concepção mais caótica: começou com o estudo das faces de Livre Arbítrio, rabiscado a caneta, que não era definitivo mas foi depois composto directamente na ‘ilo final. Passei a seguir à figura de Jacinto – a única parte feita tradicionalmente – que, para o tornar mais compacto, foi depois manipulada digitalmente. O resto, por questão de imediatismo, foi desenhado com Wacom – a qual, pela falta de alguns drivers, não estava lá muito cooperativa, razão porque certas áreas (braços) ficaram mais grosseiras do que outras (tronco)…
O ónus do resultado está todo no Daniel Henriques, que arte-finalizou esta imagem e em quem caiu a missão de uniformizar toda a composição, tão díspar – foi uma espécie de desafio...! A interpretação que ele tentou na névoa de Arbítrio falhou o que era pretendido, aparentemente, mas eu contínuo a preferir a tentativa dele do que o meu improviso.

Production wise, this was the most chaotic conception: it started with the faces study for Livre Arbítrio, sketched with a pen, that wasn’t to be definitive but ended up directly melded onto the final illo. I then drew Jacinto – the only part that was done traditionally – which, to make him bulkier, was afterwards digitally manipulated. The rest, for immediacy sakes, was drawn with a Wacom – which, due to lacking a few drivers, wasn’t very cooperative; reason why some areas (arms) turned out more rough than others (torso)…
The burden of the end result is all on Daniel Henriques, who inked the image and had the assignment of unifying the whole composition, disparate as it was – it’s a kind of challenge…! His interpretation of Arbítrio’s clouds effects apparently missed what he intended, but I still like his attempt better than my improvisation.


08 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo III | Chapter Cover III


A complicada imagem do 3º capítulo… / The complicated 3rd chapter image…

Fado
Aqui, o recorrente Deodato Roble, aliás Fado, conjura personagens da sua peça de teatro “Os Contrafeitos”, onde evoca pessoas do séc.19 em Portugal; nomeadamente, A Preta do Mexilhão e Júdice Xadrez, assim como Leonel Picco, munido de uma tíbia pastoril (instrumento musical antigo), que se manifestam na sua mente e numa cena tumultuosa, passada nas ruelas recônditas do bairro d’Alfama.
Here, the recurring Deodato Roble, aka Fado, conjures characters from his theater play “Os Contrafeitos”, wherein he evokes people from 19th century’s Portugal; namely, A Preta do Mexilhão (The Mussel Negro) and Júdice Xadrez, along with Leonel Picco, holding a tibia aulos (an ancient musical device), that manifest themselves in his mind and in a very tumultuous scene, in Lisbon’s alleyways of Alfama neighborhood.


Esta devia ter sido uma das imagens arte-finalizadas pelo Daniel Henriques, que ele teria feito brilhar, mas devido a outros compromissos profissionais que ele tinha na altura, tive de a resolver sozinho, razão porque optei só ‘inkar o busto de Fado – a única figura “real” na composição – deixando o resto, fictício, minuciado ao ponto de arte-finalizado com lápis. Na eventual aplicação de técnicas nas imagens do livro, para incutir realidades diferentes, esta conjuração de uma cena ficcional até caiu bem e fez sentido, retratada assim.
É de salientar ainda a concepção d’A Preta do Mexilhão, pela Susana Resende, que me salvou do vácuo criativo ao criar um look castiço e surreal para a personagem, que eu decalquei vergonhosamente para a ilustração final. Podem ver o esboço aqui.
This should’ve been one of the images inked by Daniel Henriques, which he would’ve made shine, but due to other professional engagements he had at the time, I had to solve it myself, reason why I opted to only ink Fado’s bust – the sole “real” figure in the composition – leaving the rest, fictitious, detailed to the point of being inked with the pencil. Given the various techniques we later applied throughout the book, to convey different realities, this conjuration of a fictional scene actually worked out well and made sense, portrayed this way.
I’ve also to point out the conception of Mussel Negro, by Susana Resende, that salved me from a creative void when coming up with a look that was both quirky and surreal, which I traced shamelessly onto the final illustration. Checkout the sketch here.

Links:

07 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo II | Chapter Cover II


Seguidamente, a imagem do 2º capítulo, com… / Next, the image of the 2nd chapter, featuring…

Inocêncio Perpéctuo
Esta composição mostra a entidade Inocêncio Perpétuo, que intervém e salva Ofélia Luna (a Fada) da vampira Leonor Gibrão. Admito, o apelo aqui foi em desenhar a vampira. A imagem teria passado sem ela, mas era divertido fazê-la e tentar mostrar os dois extremos – um na luz e outro nas trevas – com uma figura meio humana meio mito, no centro. Até porque desenhar um mito anglo-saxónico em confronto com um folclore pagão não é costumeiro…
This composition features the entity Inocêncio Perpéctuo (Inocêncio Perpectual) that intervenes and saves Ofélia Luna, aka Fairy, from the vampire Leonor Gibrão. I’ll admit my chief thrill here was in drawing the vamp. I could’ve easily done without her, but it was some much fun to attempt to show the two extremes – on in the light, another in darkness – with a half human half myth figure at the center. Plus, drawing an Anglo-Saxon myth facing a pagan European folklore isn’t something usual…

O problema estava no foco no Inocêncio: tentei fazê-lo luminoso desenhando o seu brilho e não traçar só o contorno, como se fosse tão brilhante que nem definia formas. Quis tentar algo mais, mas para isso tive de largar o fato completo, para facilitar a tarefa. Em suma, gostei do resultado, embora haja aspectos que podiam ter saído melhor.
The problem was the focus on Inocêncio: I attempted making him luminous by drawing his light’s sheer and not just the outline, as if he was so bright he had no defining shapes. I wanted to go for something more, but for that I had to part with his full suit, to make it easier. I liked the result, although there are some aspects that could’ve gone better.

Não há registo da fase do desenho do Inocêncio. Para apanhar o efeito do brilho, arte-finalizei instintivamente logo em cima do esboço.
I have no penciling stage for Inocêncio. To get that sheer and luminous effect, I inked it instinctively right upon the sketches.

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo I | Chapter Cover I


Após o interregno, vou seguir as ilustrações por ordem de capítulos onde surgem e não cronologicamente. Qualquer uma destas foi feita há mais de 1 ano, pelo que alguns aspectos da produção podem escapar-me...
I’ll go through the illustrations in the same order as the chapters they appear in and not chronologically. Any one of these was done well over a year ago, so some of the aspects regarding their production may escape me... 
Vulcão & Efraim Al Tothmea
O principal vilão do universo O Infante Portugal, criado por José de Matos-Cruz, o Vulcão (aliás, Nero Faial, artista e curador da Fundação de Artes Narcisistas) desapareceu da cena de Lisboa, deixando muito pó por assentar. Numa viagem mal trilhada pela Terra do Fogo e atravessando as ruínas de um antigo local Alexandrino, encontra-se com uma figura fantasmagórica – o sábio Efraim Al Tothmea.
The main antagonist in The Infante Portugal universe, created by José de Matos-Cruz, Vulcão/Volcano (aka, Nero Faial, artist and the Narcissistic Arts Foundation’s curator) has vanished from the Lisbon scene, leaving a lot of dust to settle in his wake. During a trip gone astray in the Land of Fire and crossing through the remains of an ancient Alexandrian place, he meets with a ghostly figure – the wise man Efraim Al Tothmea.
 
A ideia geral estava lá desde o começo, era só uma questão de quanta paisagem ou ruínas ia mostrar. Decidimos fazê-lo um local que o deserto teria reclamado, deixado só alguns vestígios para trás. Quanto ao vilão, o apelo de o fazer aprumado foi grande, mas consegui desarranjá-lo um pouco, para melhor narrar a situação desesperada em que estava e o choque de se cruzar com o espectral Al Tothmea.
The basic idea was there from the start, it was only a matter of how much landscape or ruins would it should. We decided to have it look like a place the desert had claimed back and left only some vague remnants behind. As for the villain, the appeal to depict him sleek was great, but afterwards managed to frazzled him a bit, to better convey his dire situation and startling at meeting the ghostly Al Tothmea.

De resto, deixei-me levar demasiado nos detalhes da arte-final, em especial na folhagem. E prefiro nem comentar o lagarto… ;)
Also, I really went overboard with detailing the inks, especially on the foliage. And I’d prefer not to comment on the lizard… ;)

06 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Diário de Produção | Production Diary


Em jeito de teaser à próxima fase, focada nas 'ilos finais d’O Infante Portugal, apresento o vídeo #2, exibido originalmente no encontro no CNBDI (Centro Nacional de BD e Imagem) que foca a produção dos trabalhos assinados por mim, Susana Resende e o arte-finalista convidado Daniel Henriques.


As a teaser for the next phase, focused on the final illos for The Infante Portugal, here’s the 2nd video, originally shown at the presentation at CNBDI (National Center for Comics & Images), showcasing production steps of the works therein by myself, Susana Resende and guest inker Daniel Henriques.

04 setembro 2012

Comunicado sobre Troféus Central Comics


Agora que o X Troféus Central Comics terminou, encerrando a 1ª década destes prémios de BD e Cartoon onde os vencedores são definidos pelo grande público, venho anunciar o meu afastamento - para já -  da organização do evento (onde participava na elaboração de docs imprensa, gestão da selecção de nomeados e outros aspectos logísticos) e - eventualmente - como membro do júri (colaborando na selecção de nomeados e adjudicação do resultado da votação pública). A manutenção desta última função dependerá de disponibilidade para tal aquando do XI TCC, no 1º semestre/2013, mas é quase certo não ir ter essa vacuidade, agora que, após quase 5 anos afastado de criar BDs a sério, pretendo voltar a produzir.

Não obstante as eventuais ambições artísticas, os motivos da decisão são simples: sem tempo para manter em dia a leitura de edições nacionais pouca capacidade vou ter para continuar a nomear candidatos com o devido conhecimento de causa e, hipoteticamente, podendo constar entre autores e obras elegíveis em prémios futuros, caso edite algo por cá, igualmente não me poderia pronunciar nessas categorias ou estar sequer nomeado, de acordo com o regulamento do TCC (“1.8. (...) Os elementos do júri não podem ser eleitos nos prémios de título pessoal (...), sendo proibidos ainda de participar no processo de selecção dos nomeados se intervirem criativamente em obras elegíveis nas categorias (...)).
Assim, a atitude correcta é retirar-me do evento, até para não fomentar comentários que tentem pôr em causa a idoneidade (impecável) do TCC – ou a minha – agora que ele caminha para a maturidade e maior projecção mediática, associado ao evento de entretenimento Portusaki.

A nível pessoal, tendo acompanhado o Troféus Central Comics desde o começo, não poucas vezes salvaguardado para que ele não desaparecesse e durante anos facilitando o seu funcionamento, ao reunir exaustivamente a lista de edições portuguesas no qual ele se baseava (algo que deixei de acautelar, entretanto), é com algum pesar que fecho este capítulo; posso não ser o pai do evento, mas serei certamente o seu tio... E há que salientar que o TCC tem sido, desde o início, realizado de modo independente e financiado exclusivamente a nível privado, criado por uma entusiasta carolice mas promovido com intentos sérios, pelo que manter-se no activo há já 10 anos e, no processo, atingindo uma abrangente participação pelo público leitor, é decerto um feito valoroso e inédito no nosso periclitante mercado, e também estimulador de uma até então fragmentada comunidade de BD.

Apesar de alguns dissabores ao longo dos anos, tendo de lidar com actos mesquinhos por individuos mal-ajustados (porque há sempre dois lados de se encetar iniciativas destas), o gosto pela edificação do TCC, pela sua mensagem de incentivo à criação e a celebração da BD que este simboliza fez superar tudo isso. O que fica são os conhecimentos travados e desafios ultrapassados, as oportunidades de homenagear tantos colegas e ídolos que o mereciam, e as imensas mensagens de apreço que continuamos a receber dos leitores e pares.

Porém, acho que 10 anos(!) é o suficiente para intervir num projecto desta natureza, ademais não sendo o seu principal promotor ou beneficiário. E venho a sentir que continuar a fazê-lo tornar-se-á incompativel com o que quero procurar a nível profissional; não o digo só face a ter a disponibilidade necessária – que é relevante – mas também sobre me querer prestar criativamente num sector enquanto simultaneamente estivesse a agir nele num âmbito premiador.
Posto isto, renovado o regulamento e categorias do TCC, e estando tratada a nova iniciativa TCC-HD (Troféus Central Comics: Heróis da Década) – que posso dizer ter sido proposta minha – o meu papel nos prémios chega ao fim, certo de que os actuais jurados vão manter o evento em boas mãos, sem risco de desvirtuamento.
Resta desejar que continue a ganhar o melhor – ou pelo menos o preferido da maioria dos leitores – e que o TCC persevere por muitos anos.

03 setembro 2012

X Troféus Central Comics – Os Vencedores


…Estou de volta! Apesar de compromissos profissionais e mudança de casa me tenham forçado a suspender a série de posts dedicado aos trabalhos d’O Infante Portugal vol.3, antes de começar a 2ª parte desses faço um interlúdio para noticiar os vencedores do X Troféus Central Comics, revelados ontem, no último dia do II Portusaki.

Antes de mais, parabéns a todos os nomeados – que é já um feito, face ao criativo panorama nacional – e felizes vencedores, mas gostava de destacar em especial os amigos e colegas André Oliveira, Jorge Coelho e Paulo Monteiro, mais os colaboradores do Atelier Toupeira de Beja, respectivamente pelas consagrações nos prémios Melhor Obra Curta (Animália: Paris Je t’Aime), Melhor Arte (É de Noite que faço as Perguntas) e Melhor Publicação Independente (Venham +5 #08). E claro, obrigado a todos os leitores e fãs que intervieram na votação!

Aqui fica o doc. imprensa completo:

"De volta ao auditório do Hard Club do Porto (no antigo Mercado da Ribeira), a Cerimónia de Entrega do X Troféus Central Comics ocorreu no 2º dia (dia 2/9) do II Portusaki – evento de entretenimento e cultura que celebra a animação, jogos, banda desenhada, música, cinema e TV, e com especial interesse no universo da fantasia, terror e ficção-científica, entre outras vertentes. Apresentado pelo organizador & membro do júri Hugo Jesus e pelo colaborador António Carlos, contou com a presença de vários autores e editores nacionais, bem como críticos especializados e, claro, os incontornáveis leitores.

A marcar o fecho da primeira década de Troféus Central Comics (TCC), e após uma recente afinação dos critérios e categorias do evento (ver neste link), onde são os próprios leitores e fãs de BD que determinam os vencedores, a adesão deste ano sentiu um ligeiro decréscido face a 2011, talvez devido ao periodo veranesco em que decorreu a votação. Todavia, invervieram 730 leitores (91%) e profissionais do sector (9%), que não deixaram dúvidas quanto às obras e autores favoritos editados no ano transacto, apesar de ter havido categorias renhidas.

Os grandes vencedores de 2012 foram, pela segunda vez consecutiva, os heróis Dog Mendonça & Pizza Boy, com os prémios Melhor Argumento atribuido ao escritor Filipe Melo e Melhor Publicação Nacional para o livro As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2 – O Apocalipse (Tinta da China). Esta nova série nacional sobre o submundo paranormal lisboeta, que também tem conquistado o mercado norte-americano, continua a cativar os leitores portugueses de um modo só anteriormente observado no sucesso, também internacional, da já mítica colecção A Pior Banda do Mundo...!

Outros autores “da casa” também distinguidos do público, desta feita em detrimento de concorrentes estrangeiros de peso, foi a dupla Geral e Derradé, com a colectanea que integra os seus Bad-Summer Boys Band, Há Piores! (Polvo), vencedora agora da Melhor Publicação Humor. A distinção, merecida, sem dúvida beneficiou dos muitos fãs que estes dois autores vêm a cultivar desde 1992, quando se juntaram para assolar os fanzines e festivais de BD portugueses.

Os vencedores estrangeiros este ano são duas obras de autor, não obstante a distância temporal e geográfica que as separa: em Melhor Publicação Clássica, a reedição de Corto Maltese – As Etiópicas (Asa), do mestre Hugo Pratt, distanciou-se expressivamente dos restantes nomeados, consagrando a aposta da Asa em publicar a completa bedeteca do enigmático herói; e na categoria Melhor Publicação Estrangeira distinguiu-se o opus Blankets (Devir), do talentoso Craig Thompson, um livro maduro e multipremiado lá fora, que o público nacional agora igualmente elege.

Seguidamente, a Melhor Publicação Técnica premia o BDjornal (Pedranocharco), cuja última edição (#28) soma ao aperiódico quatro distinções conseguidas no TCC. E a Melhor Publicação Independente – agora vocacionada para destacar fanzines, prozines e álbuns de menor distribuição – também premiou de novo o último número (8) da antologia Venham +5 (Bedeteca de Beja), a publicação-estandarte do Festival Internacional BD de Beja e da comunidade de autores Atelier Toupeira e seus convidados.
É de salientar que ambas as edições são, respectivamente, a mais perseverante edição informativa e de crítica a BD do país, e a mais celebrada antologia de BDs nacionais a ser actualmente promovida por uma entidade cultural com apoio autarquico.

Voltando à produção nacional, o prémio Melhor Obra Curta foi entregue à BD Animália em Paris (in Zona Monstra), de André Oliveira (Argumento) e Pedro Carvalho (Arte); trata-se de uma surreal e hilariante peça de arte sequencial que recentemente foi transposta para animação, num motion-comic disponível online (neste link).
Por último, um dos mais cobiçados prémios do TCC, a Melhor Arte foi conferida a Jorge Coelho (ou JCoelho), membro do The Lisbon Studio e um dos talentosos portugueses a editar na industria de comics, na mini-série Forgetless. A obra que o elege, É de Noite que faço as Perguntas (Saída de Emergência), reune mais autores noutros segmentos de histórias, no entanto esta nomeação elegeu só JCoelho (que superou por pouco o seu colega do The Lisbon Studio, Filipe Andrade, vencedor deste prémio no 9º TCC).

Extra concurso, o Troféu Especial do Júri, distinção que visa homenagear personalidades do sector, foi para Fernando Relvas, um dos nossos “autores completos,” que inspirou uma geração de desenhadores nacionais em álbuns como Karlos Starkiller e L123, entre outros, e igualmente com carreira em rúbricas em jornais, onde criou o Espião Acácio, e que, após ausência de alguns anos, faz um retorno às lides, nomeadamente via livros como Sangue Violeta (Ep Pep) e Li MoonFace (Pedranocharco).

Ainda com uma novidade sobre o TCC para revelar*, por ora divulgamos os dados estatísticos completos:

Melhor Publicação Nacional (TCCN)
 
As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2 – Apocalipse (Tinta da China) 38,06%
Zona Monstra (Associação Tentáculo) 30,65%
Pop Rock: Trabalhadores do Comércio (Tugaland) 8,39%
A Ermida (Polvo Edições) 6,77%
A Arte de Under Siege (Edições Asa) 4,19%
Futuro Primitivo (Associação Chili com Carne) 3,87%
É de Noite que faço as Perguntas (Saída de Emergência) 3,23%
O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books) 2,90%
Pontas Soltas – Cidades (Edições Asa) 1,29%
Li Moonface (Pedranocharco) 0,65%

Melhor Publicação Estrangeira (TCCE)
Blankets (Devir Edições) 31,65%
Scott Pilgrim 4 – Agora é a Sério (Booksmile) 25,32%
As Águias de Roma I (Edições Asa) 14,77%
Os Emigrantes (Kalandraka) 11,81%
Os Incontornáveis da BD: O Gato do Rabino (O Público/Asa) 10,97%
Mattéo – Segunda Época (VitaminaBD) 5,49%

Melhor Publicação Clássica (TCCC)
Corto Maltese – As Etiópicas (Edições Asa) 41,70%
Dragon Ball 15 – Rivais Poderosos (Edições Asa) 21,08%
Adele Blanc-Sec vol.3 (Edições Asa) 17,49%
Os Incontornáveis da BD: O Vagabundo dos Limbos (O Público/Asa) 10,76%
Os Incontornáveis da BD: Max Fridman (O Público/Asa) 4,93%
Lance vol.3 (Libri Impressi) 4,04%

Melhor Publicação Humor (TCCH)
Há Piores! (Polvo) 35,98%
Dilbert – Liberdade é só uma Palavra para as Pessoas descobrirem que és Incompetente (Edições Asa) 20,09%
Zits 16 – Dá-lhe Gás (Gradiva) 14,02%
As Odisseias de um Motard vol.5 (Motorpress) 12,15%
Tudo sobre os Solteirões (Edições Asa) 11,68%
Baby Blues 28 – Corta! (Bizâncio) 6,07%

Melhor Publicação Técnica (TCCT)
BDjornal #27 (Pedranocharco) 35,44%
Catálogo World Press Cartoon 2011 (WPC/C.M.Sinta) 18,14%
Tintim e a Alph Art (Edições Asa) 15,61%
Manga: Passo a Passo (Loft) 11,81%
Catálogo Tinta nos Nervos (Museu Colecção Berardo) 9,70%
Rotas e Percursos – Veneza, percurso com Corto Maltese (O Público/Asa) 9,28%

Melhor Publicação Independente (TCCI)
Venham +5 vol.8 (Bedeteca de Beja) 44,21%
Cidade Suja (El Pep Edições) 17,60%
Lodaçal Comix (Ruru Edições) 12,88%
BDLP #1 (Extratus) 11,59%
Mr.Klunk e Sr. Klaxon (Livros Espontâneos) 11,59%
Mores et al (Topedro) 2,15%

Melhor Obra Curta (TCCO)
Animália – Paris Je t’Aime; Pedro Carvalho & André Oliveira (in Zona Monstra) 37,50%
A Garagem de Kubrik; Carla Rodrigues & J.B. Martins (Total Film) 25,74%
Onde Jaz o teu Sorriso; Joana Afonso (in BDLP #1) 18,75%
Eu sou uma Nódoa; Nuno Duarte (in Tertúlia BDzine #159) 12,87%
Seattle; Dinis Conefrey & Maria João Worm (in Venham +5 #8) 4,04%
Lig & Mandu: A Alegoria do Palhaço; Nelson Martins & P. Couto e Santos (in Tertúlia BDzine #163) 1,10%

Melhor Argumento (TCCArg)
Filipe Melo (As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2) 39,08%
André Oliveira (Zona Monstra) 32,75%
David Soares (É de Noite que faço as Perguntas) 10,92%
João Mascarenhas (O Menino Triste: Punk Redux) 7,04%
Rui Lacas (A Ermida) 5,28%
Filipe Pina (A Arte de Under Siege) 4,93%

Melhor Arte (TCCArt)
Jorge Coelho (É de Noite que faço as Perguntas) 25,74%
Filipe Andrade (A Arte de Under Siege) 24,47%
Rui Lacas (A Ermida) 16,03%
José Garcês (O Lince Ibérico) 11,81%
Pedro Brito (Pop Rock: UHF) 10,97%
Ricardo Cabral (Pontas Soltas – Cidades) 10,97%

O póster do X Troféus Central Comics foi ilustrado por André Caetano, ilustrador e autor de BD. Agradecemos a participação como Parceiros do TCC: Apenas Livros, Arga Warga Edições, Edições Asa, O Lobo Mau, Pato Profissional, Pedranocharco e Tinta-da-China Edições.

*Foi ainda anunciado no final da cerimónia a realização no último trimestre de um 2º prémio TCC, intitulado Troféus Central Comics: Heróis da Década (TCC-HD), que propõe ao grande público votar nos “melhores dos Melhores”, definindo assim quais os autores e obras preferidas nestes primeiros dez anos de prémios, integrando os vencedores do XTCC agora revelados. Serão divulgados em breve mais dados sobre a iniciativa, cujo resultado será ser anunciado em 2013, no III Portusaki, junto com os XI TCC."

08 agosto 2012

O Infante Portugal vol.3: Concepção de Personagens | Character Concepts


…Sobre os novos personagens secundários, lutei um pouco para alinhar com a natureza esotérica da maioria destes, que simultaneamente teriam de parecer indivíduos normais.

O primeiro foi Inocêncio Perpétuo, figura imortal e mística, concebida como um ser luminoso (que contrapõe a vampira Leonor Gibrão, na mesma composição) ao qual dei um fato completo e sugestão do sinal de infinito, numa mascarilha ou laço de gola. No final, fi-lo sem fato ou mascarilha (esconder-se para quê?) e dei-lhe um penteado mais carismático. Já com a Leonor Gibrão, criada por Dinis Conefrey, mantive-a basicamente igual, dando só maior enfase às orelhas de morcego, algo inspiradas na imagem do Man-Bat, por Kevin Nowlan.
Outro recorrente na saga é Deodato Roble, vulgo “Fado”, criado por Luís Louro. Também não o quis afastar do aspecto original, mas para não haver equívoco com outros personagens, tirei-lhe a ”pêra” e acentuei o aspecto de gasto pela vida no degredo. E estando empacado quanto à figura da Preta do Mexilhão, personagem ficcional da peça de teatro de Roble (“Os Contrafeitos”), adoptei entusiasticamente o esboço feito pela Susana Resende, que decalquei directamente para a ilustração final.
Outra figura etérea do livro chama-se Livre Arbítrio, uma entidade que afecta Jacinto Magno, este, criado por José Carlos Fernandes. Tal como aos restantes, pouco mudei em Jacinto, fazendo-o só mais corpulento, para recuperar a descrição original do autor. Sobre Livre Arbítrio, comecei por o imaginar uma figura invisível, que se figuraria numa labareda acesa dentro de túnica milenar e uma máscara ancestral, assim se podendo incutir neste qualquer intento que se quisesse, sem especificar expressões.
O conceito, porém, foi além do que era pedido, pelo que, após brainstorming com o autor, refi-lo como múltiplos Djinns, que tanto podem ser coadjuvantes ou detractores, e dessa forma nunca pondo em causa o “livre arbítrio” de Jacinto, mas afectando e influenciando-o constantemente.
Com Lúcio Olímpio, o poeta egocêntrico e nefastamente ambicioso (Budha dê paciência para lidar com outros parecidos, que por aí andam…), e dos poucos “humanos” por criar, a concepção foi conseguida logo de início, embora tenha tentado algumas variações posteriormente. Troquei a camisa sem gola por outra com lenço ao pescoço e o quico substituiu a boina, apenas.
Segue-se Elefante Elegante, um ser espectral que, por algum motivo, me instigava associações ao Babar. É de salientar que o nome deste – como me foi explicado – deve-se às alcunhas maliciosas, porém criativas, que as classes culturais tinham costume de dar aos seus pares ou competidores no Portugal do início do século. Aliás, uma prática que perdura, fora talvez o menor ‘panache aplicado… Em suma, o “Elefante Elegante” seria um individuo forte e de porte, mas com classe. Veio-me à memória o actor Marlon Brando, figuração que tentei suavizar na imagem final.
A Susana também fez tentativas; primeiro levando à letra a caracterização e depois seguindo a mesma lógica.

Criar Ochia Chyornia foi um desastre. Como militar de carreira russo, partiu dum idoso capitão soviete para se tornar gradualmente, a cada novo esboço, alguém com traços mais britânicos… “Viver e aprender.”


Por último, o mais divertido de conceber foi talvez o Salvador da Pátria. Entidade espectral, de figurino óbvio sobre a Era donde vem, deu a oportunidade de evocar a imponência de mentor e carisma de …Sean Connery!
Especialmente ajudado por imagens de Zardoz e Highlander, o James Bond original foi assim evocado nesta emblemática figura lusitana; por casualidade, descobri depois que José de Matos-Cruz não só é fã de Connery e da série 007 em BD, como até escreveu um livro sobre o espião!... Portanto, a escolha do modelo não podia ter sido melhor. A Susana também esboçou apersonagem (bem melhor do que eu).

07 agosto 2012

O Infante Portugal vol.3: Recriando o Herói | Recreating the Hero


Começo a tour aos trabalhos do último livro do O Infante Portugal abordando a criação das figuras. A saga, saída da mente fértil do José de Matos-Cruz, está repleta de apaixonantes personagens, que tanto exultam as mitologias dos super-heróis como são inspiradas na imagética e cultura portuguesas, e forma concebidas visualmente por alguns dos criativos ilustradores nacionais. O universo criativo (como é usual dizer) é tão variado e dinâmico que suportaria facilmente uma longa série de BDs e livros…!
Starting off the tour of the works for the Infante Portugal‘s final book, I’m focusing on characters concepts. The saga, from the prolific mind of José de Matos-Cruz, is teeming with fascinating characters, which both rejoice on superhero mythologies and are inspired by the Portuguese imagery and culture, and were visually created by some of the inventive Portuguese illustrators. This fictional universe (as we usually say) is so varied and dynamic that it would easily support a long line of comics and books…!

  
Nesta jornada final, coube-me criar novos personagens, uma tarefa dividida com a Susana Resende. Para começar, falo da recriação do fato do herói titular, que não é bem “recriação”, mas antes uma afinação. Como detentor de poderes mágicos, mas de pouca acção bélica usual, quis suavizar o fato que fiz em 2010 no vol.2, passando de uma semi-armadura (de referência a Cruzados) para algo mais alusivo a túnica (de Mago).
In this last journey, I was trusted to come up with new characters, a task I shared with Susana Resende. For starters, I’ll discuss refitting the title hero’s suit, which isn’t really a “recreation” but more of a fine-tuning. As a wielder of magical powers, but prone to rare battling action, I tried to soften up the costume done for 2010’s 2nd vol., going from a semi-armor (with reference to Crusaders) to something more akin to a (Mage) tunic.


Depois de brincar com variações, deixei de tentar incorporar a Lis no fato e tornei-a “o” fato, tendo o cuidado de não o afastar demasiado da versão anterior; o resultado ainda não me satisfaz, mas gostei do aspecto regale obtido.
After playing around with variations, I stopped trying to fit the Portuguese “Lis” into the costume and made “it” the suit, with caution to not steer it to far from the previous version; the end result didn’t really grab me, but I enjoyed its regal look.