08 agosto 2012

O Infante Portugal vol.3: Concepção de Personagens | Character Concepts


…Sobre os novos personagens secundários, lutei um pouco para alinhar com a natureza esotérica da maioria destes, que simultaneamente teriam de parecer indivíduos normais.

O primeiro foi Inocêncio Perpétuo, figura imortal e mística, concebida como um ser luminoso (que contrapõe a vampira Leonor Gibrão, na mesma composição) ao qual dei um fato completo e sugestão do sinal de infinito, numa mascarilha ou laço de gola. No final, fi-lo sem fato ou mascarilha (esconder-se para quê?) e dei-lhe um penteado mais carismático. Já com a Leonor Gibrão, criada por Dinis Conefrey, mantive-a basicamente igual, dando só maior enfase às orelhas de morcego, algo inspiradas na imagem do Man-Bat, por Kevin Nowlan.
Outro recorrente na saga é Deodato Roble, vulgo “Fado”, criado por Luís Louro. Também não o quis afastar do aspecto original, mas para não haver equívoco com outros personagens, tirei-lhe a ”pêra” e acentuei o aspecto de gasto pela vida no degredo. E estando empacado quanto à figura da Preta do Mexilhão, personagem ficcional da peça de teatro de Roble (“Os Contrafeitos”), adoptei entusiasticamente o esboço feito pela Susana Resende, que decalquei directamente para a ilustração final.
Outra figura etérea do livro chama-se Livre Arbítrio, uma entidade que afecta Jacinto Magno, este, criado por José Carlos Fernandes. Tal como aos restantes, pouco mudei em Jacinto, fazendo-o só mais corpulento, para recuperar a descrição original do autor. Sobre Livre Arbítrio, comecei por o imaginar uma figura invisível, que se figuraria numa labareda acesa dentro de túnica milenar e uma máscara ancestral, assim se podendo incutir neste qualquer intento que se quisesse, sem especificar expressões.
O conceito, porém, foi além do que era pedido, pelo que, após brainstorming com o autor, refi-lo como múltiplos Djinns, que tanto podem ser coadjuvantes ou detractores, e dessa forma nunca pondo em causa o “livre arbítrio” de Jacinto, mas afectando e influenciando-o constantemente.
Com Lúcio Olímpio, o poeta egocêntrico e nefastamente ambicioso (Budha dê paciência para lidar com outros parecidos, que por aí andam…), e dos poucos “humanos” por criar, a concepção foi conseguida logo de início, embora tenha tentado algumas variações posteriormente. Troquei a camisa sem gola por outra com lenço ao pescoço e o quico substituiu a boina, apenas.
Segue-se Elefante Elegante, um ser espectral que, por algum motivo, me instigava associações ao Babar. É de salientar que o nome deste – como me foi explicado – deve-se às alcunhas maliciosas, porém criativas, que as classes culturais tinham costume de dar aos seus pares ou competidores no Portugal do início do século. Aliás, uma prática que perdura, fora talvez o menor ‘panache aplicado… Em suma, o “Elefante Elegante” seria um individuo forte e de porte, mas com classe. Veio-me à memória o actor Marlon Brando, figuração que tentei suavizar na imagem final.
A Susana também fez tentativas; primeiro levando à letra a caracterização e depois seguindo a mesma lógica.

Criar Ochia Chyornia foi um desastre. Como militar de carreira russo, partiu dum idoso capitão soviete para se tornar gradualmente, a cada novo esboço, alguém com traços mais britânicos… “Viver e aprender.”


Por último, o mais divertido de conceber foi talvez o Salvador da Pátria. Entidade espectral, de figurino óbvio sobre a Era donde vem, deu a oportunidade de evocar a imponência de mentor e carisma de …Sean Connery!
Especialmente ajudado por imagens de Zardoz e Highlander, o James Bond original foi assim evocado nesta emblemática figura lusitana; por casualidade, descobri depois que José de Matos-Cruz não só é fã de Connery e da série 007 em BD, como até escreveu um livro sobre o espião!... Portanto, a escolha do modelo não podia ter sido melhor. A Susana também esboçou apersonagem (bem melhor do que eu).

07 agosto 2012

O Infante Portugal vol.3: Recriando o Herói | Recreating the Hero


Começo a tour aos trabalhos do último livro do O Infante Portugal abordando a criação das figuras. A saga, saída da mente fértil do José de Matos-Cruz, está repleta de apaixonantes personagens, que tanto exultam as mitologias dos super-heróis como são inspiradas na imagética e cultura portuguesas, e forma concebidas visualmente por alguns dos criativos ilustradores nacionais. O universo criativo (como é usual dizer) é tão variado e dinâmico que suportaria facilmente uma longa série de BDs e livros…!
Starting off the tour of the works for the Infante Portugal‘s final book, I’m focusing on characters concepts. The saga, from the prolific mind of José de Matos-Cruz, is teeming with fascinating characters, which both rejoice on superhero mythologies and are inspired by the Portuguese imagery and culture, and were visually created by some of the inventive Portuguese illustrators. This fictional universe (as we usually say) is so varied and dynamic that it would easily support a long line of comics and books…!

  
Nesta jornada final, coube-me criar novos personagens, uma tarefa dividida com a Susana Resende. Para começar, falo da recriação do fato do herói titular, que não é bem “recriação”, mas antes uma afinação. Como detentor de poderes mágicos, mas de pouca acção bélica usual, quis suavizar o fato que fiz em 2010 no vol.2, passando de uma semi-armadura (de referência a Cruzados) para algo mais alusivo a túnica (de Mago).
In this last journey, I was trusted to come up with new characters, a task I shared with Susana Resende. For starters, I’ll discuss refitting the title hero’s suit, which isn’t really a “recreation” but more of a fine-tuning. As a wielder of magical powers, but prone to rare battling action, I tried to soften up the costume done for 2010’s 2nd vol., going from a semi-armor (with reference to Crusaders) to something more akin to a (Mage) tunic.


Depois de brincar com variações, deixei de tentar incorporar a Lis no fato e tornei-a “o” fato, tendo o cuidado de não o afastar demasiado da versão anterior; o resultado ainda não me satisfaz, mas gostei do aspecto regale obtido.
After playing around with variations, I stopped trying to fit the Portuguese “Lis” into the costume and made “it” the suit, with caution to not steer it to far from the previous version; the end result didn’t really grab me, but I enjoyed its regal look.




03 agosto 2012

Titãs à Mesa | Titans at the Table



Ok, talvez o Pegasus se pareça um pouco com um cruzamento entre um cavalo e um galgo… Mas dêem-me uma abébia, foi rabiscado durante o almoço – a sério!
Ok, so Pegasus looks a bit like a cross between a horse and a greyhound… But give me a break, I sketched it over lunch – really!

02 agosto 2012

Esboçando o Morcego | Sketching the Bat


Como fã que se preze, fui à pré-estreia do último filme d’O Cavaleiro das Trevas – e foi tudo o que se lê: é épico e deslumbrante e fez valer a espera, e simultaneamente perdeu a graça devido a falhas monumentais e um guião algo forçado. Todavia, o constante crescendo da acção e fantástico trabalho dos actores faz facilmente dele um dos melhores Bat-filmes. O Keaton pode bem ser o Batman/Wayne da minha infância, mas o Bale é o melhor de sempre a encarná-los!
Pré-celebrei comprando um álbum do ’Morcego e passeando pela catita exposição “Cavaleiro das Trevas Renasce” que mostrava réplicas em tamanho real dos fatos e do (espectacular!) Bat-Pod; o Bat(avião) tinha sido levado para lavar, porém… Pena ;)
Para marcar a ocasião, aqui ficam uns esboços e rabiscos avulsos do Batman. “Deshi Basara!


As any reasonable fanboy, I went to see the last Dark Knight movie’s premier – and it’s everything you’ve been reading: it is epic & awe inspiring and well worth the wait, and it also manages to spoil the ride with monumental blunders & a contrived script, at times. All in all, the constant crescendo of the action, plus amazing work by the cast easily makes it one of the best Bat-movies. Keaton may well be the Batman/Wayne of my childhood, but Bale is the best ever at portraying them!
I pre-celebrated it by buying a Batman book and strolling through a nifty “Dark Knight Rises” exhibit, featuring life-size replicas of the costumes and the (awesome!) Bat-Pod; the Bat(plane) had been taken for a wash, though… Pity. ;)
To mark the occasion, here’s some random Batman sketches and doodles. “Deshi Basara!